O que todo irrigante deve saber sobre perda e diferencial de pressão
A regulagem tem impacto direto na eficiência da irrigação por gotejamento.
O produtor que busca conciliar eficiência, altas produtividades e sustentabilidade nas lavouras inevitavelmente necessita fazer uso de ferramentas como a irrigação. Porém, não basta ter um sistema altamente inovador se as manutenções e as regulagens não forem realizadas regularmente, algo que certamente irá comprometer o desempenho e reduzir o resultado final. Um dos itens quando falamos em irrigação por aspersão e gotejamento que precisam de atenção é a pressão de todos os itens do sistema
Segundo Matt Clift, chefe de gestão global de produtos e marketing da Rivulis, o primeiro ponto a se atentar é sobre as variações e sobre seus significados. Isso acontece porque os produtores frequentemente se deparam com dois conceitos relacionados, porém distintos: perda e diferencial de pressão. “Compreender ambos e monitorá-los é fundamental para manter a eficiência do sistema e, consequentemente, a saúde das lavouras”, diz Clift explica que a perda de pressão se refere à redução gradual da vazão da água à medida que ela percorre o sistema de irrigação. “Essa perda é um resultado natural do atrito entre tubulações, filtros, válvulas e linhas de gotejamento. Um bom projeto hidráulico planeja e calcula essas perdas, visando fornecer a pressão correta no emissor mais distante”, destaca.
Ainda segundo Clift, outro ponto importante é entender como essa perda se acumula, pois, cada componente contribui. “O que influi é se o sistema foi projetado com essas baixas acumulativas, garantindo que a pressão no final da linha permaneça dentro da faixa operacional do emissor de gotejamento”, aponta.
A orientação é para a medir regularmente em pontos-chave do campo, começando no controle de pressão máxima e terminando no último emissor. Variações podem indicar problemas como entupimento do emissor, vazamentos ou componentes defeituosos.

O que é Diferencial de Pressão?
O diferencial de pressão (DP) é o que difere a pressão medida em um componente, como um filtro. Este é um indicador-chave de desempenho de que ele está funcionando corretamente. “Por exemplo, um filtro deve manter um diferencial de pressão abaixo de um determinado limite quando limpo. Um aumento no DP sugere entupimento; uma queda pode indicar que ele não está fornecendo proteção devido a uma quebra do mecanismo de filtragem. Isso é uma realidade para os conjuntos de filtragem de areia, em que a formação de um caminho preferencial ou a perda de areia podem reduzir o DP”, detalha Clift.
A medição de rotina permite que os produtores monitorem quando a manutenção é necessária antes que o desempenho da irrigação seja prejudicado.
Como medir
Para pressão:
- Meça a pressão de campo em todos os pontos-chave do sistema, desde a bomba até o último bloco de campo. Haverá perda de pressão do início ao fim, mas isso é esperado e deveria ter sido considerado no projeto.
- Em cada ponto, compare com as especificações do projeto e observe as variações. Uma mudança de pressão pode indicar um vazamento ou bloqueio.

Para diferencial de pressão:
- Meça a diferença entre a pressão a montante e a jusante em cada lado do componente que está sendo medido.
- Registre os valores ao longo da safra.
- Limpe e inspecione os componentes quando o diferencial variar além dos limites aceitáveis.
Tanto a medição da pressão quanto o diferencial dela são janelas diferentes para a saúde do sistema e dos componentes. Ao compreender e verificar ambos regularmente, os produtores podem encontrar problemas precocemente, proteger o desempenho da cultura e prolongar a vida útil do sistema. “Trabalhamos com agricultores em todo o mundo e sabemos que o monitoramento da pressão é uma parte fundamental da boa manutenção do sistema”, afirma Clift. As leituras são fáceis de monitorar e não devem ser ignoradas.